Deficientes auditivos


A chuva caiu em cima do telhado fortemente,
contudo, compreenderam este fenômeno
por causa do dia nublado e das águas que desciam do céu.
Na floresta encontra-se o caminho através do murmurinho do rio,
no entanto, eles se perderam.
Chamaram-lhes diversas vezes,
porém, eles não ouviram.
Soou o ruído de um animal selvagem aproximando-se,
entretanto, eles não escutaram e quase foram devorados.
Ás vezes um rumor longínquo, noutras apenas o silêncio.
Porque não ouviam, falavam pouco.
Ninguém notava suas potencialidades,
enxergavam somente suas limitações.
Eram quatro cidadãos:
o primeiro fez uma cirurgia e integrou-se a sociedade;
o outro, usou aparelho auditivo;
o terceiro, aprendeu a se comunicar por meio de gestos;
o ultimo, não se adaptou a nenhum dos métodos,
tornou-se prisioneiro dos seus pensamentos,
lia e escrevia e ao transcrever seus sentimentos num papel,
o deixou na correnteza do riacho.
Este, ao molhar e se desfazer parecia dizer:
"A descriminação fere os princípios de Deus
e assassinam aqueles que estão vivos."

Rosimeire Leal da Motta
Vila Velha - ES

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