Correndo de
braços abertos ele está.
Em seu rosto não há alegria, nem tristeza.
Está diante de uma plateia.
Se ele fez um gol e venceu o jogo
não há motivo interior para comemorar.
É sua obrigação.
No jogo da vida
não haverá ninguém para aplaudir.
As melhores alegrias guardamos para nós mesmos.
E quem se alegra com a vitória alheia?
A inveja não permite que muitos cidadãos
percebam a importância da vitória de outrem.
Mas, se o jogador está preocupado,
é porque ele se sente em divida com o torcedor.
Está sendo pago para vencer.
A vitória não é dele, é do público.
Em seu rosto há cansaço e suor.
No semblante da platéia vitoriosa, há euforia e alegria.
Os últimos minutos finais do jogo
fazem com que o time adversário perceba a derrota.
O jogador não se atreve a olhar para a plateia perdedora:
compraram expectativas e receberam desilusões.
Para saber vencer é necessário saber perder.
Mas a derrota corrói o amor-próprio.
Aquele jogador corria de braços abertos,
como se os braços estivessem cheios de vitórias
e atirasse para a platéia vencedora o sabor do triunfo.
De súbito, deixa os braços caírem ao longo do corpo.
Cumpriu sua missão.
Sua vida pessoal não é triunfal,
mas, pelo menos,
pode fazer pessoas se sentirem triunfantes!
Rosimeire
Leal da Motta
Vila Velha - ES

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