A tristeza


Num caminho deserto,
vaguei, como um vento desanimado.
Estendi-me por toda a dimensão do lugar.
Varri a poeira e as folhas secas,
afugentei tudo o que havia pelas redondezas,
e então, me transformei em chuva:
inundei ladeiras e estradas,
boiei no mar das minhas lágrimas,
recolhi o líquido da dor numa garrafa,
bebi o conteúdo vermelho que a ferida produziu,
me embriaguei com as amarguras,
cambaleei diante da vida.
Tentei não pisar nos rastros que deixei,
dei voltas e voltas, porém, retornei ao ponto de partida.
No meio da solidão me sentei e me pus a observar o vazio.
A tarde afastou-se com os meus passos,
o sol se pôs
e a tristeza se escondeu no meu coração,
contudo, estava visível no semblante.
Ao amanhecer, meu olhar refletia a alma...

Rosimeire Leal da Motta
Vila Velha - ES

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