Minha vida é um
barco a deriva,
sem radar, sem direção, sem comandante.
Está prestes a naufragar.
Há anos que está vagando pelo oceano da vida.
Nesse tempo, enfrentou tempestades, tufões e redemoinhos.
Sobreviveu, mas, sua carcaça está gasta,
desgastada, arranhada, quase furando.
O vento e as correntezas são seus guias
que o levam a nenhum lugar.
Ah, se afundasse logo, que bom seria!
Se chocou com um iceberg,
porém, o rombo foi pequeno, não naufragou.
Não apareceu até o momento a guarda costeira,
Também não encontrou um farol que iluminasse sua rota.
Um tubarão bateu fortemente contra ele
Deixando-o encalhado no meio do mar.
As ondas furiosas com aquele corpo estranho
Se quebravam violentamente encima dele.
Foi-se o sol e veio o sol.
Água salgada, calor e solidão.
Por fim, a embarcação conseguiu se mover
E de volta ao oceano da vida,
Sem sonhos, sem esperanças,
já não sabia mais o que esperar.
Fechou os olhos e desligou os motores.
Por estar velho e precisando de reparos,
a casa de comando pegou fogo.
Contudo, as águas do mar apagaram o incêndio.
Barco sofrido, angustiado, triste,
amargurado, cheio de cicatrizes.
E agora, mais perdido do que nunca...
Rosimeire
Leal da Motta
Vila Velha - ES

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