Uma Campainha Evocou Em Mim Uma Imagem Do Passado

Recebi em 31/10/2024
 


A noitinha estava entrando pela minha janela, o dia se foi juntamente com os raios de sol que ainda clareavam e perambulavam minha mente; trazendo pensa-mentos que não estava acostumado em divagar.

Repentinamente um som da campainha despertou o meu pensamento, olhei pela janela e enxerguei a imagem de uma pessoa de aparência estranha e todo enca-potado, pois o frio já se fazia presente; então, fui ver quem estava lá do lado de fora.

Chegando ao portão encarei a pessoa; depois de muito puxar pela memória reco-nheci aquela figura.

Era o Chicão!!! - o que aconteceu?

Por que veio até aqui? - depois de tanto tempo da última vez que nós vimos?

Éramos tão jovens naquela época.

Foi um tempo de juventude em que formamos esse grupo, denominado dos OITO.

Nossa diversão era depois das aulas do ginásio escolar; irmos até o centro da cida-de em uma lanchonete de muita concentração de jovens e por ali ficávamos até as portas se fecharem para a alegria do dono, o "Seu DADA", sim, porque ficáva-mos nos assentos dos seus fregueses e dali não saímos, e para alegrá-lo, pedíamos dois refrigerantes e um misto quente para dividir entre a turma, porque não tínhamos dinheiro a mesada dos pais era baixíssima.

Na última noite que lá estivemos foi para festejar o encerramento daquele ciclo de estudos; formamos um pacto de nos encontrarmos depois de cinquenta anos, escrevemos o que cada um achava que iria acontecer em uma folha de papel, para analisarmos nessa época vindoura.

Chicão continuou falando: - Passado esse período comecei a investigar a vida de cada um, constatei que seis haviam falecidos, sobraram somente eu e você; foi difícil saber onde estavam, mas consegui, cheguei até aqui por informação da Associação dos Escritores.

Mas porque somente agora?

Lembra-se da lanchonete? - daquele papel que colocamos dentro do lustre?

Acenei que sim, então resolvemos que no dia seguinte iriamos até aquela cidade que nos viu crescer em busca daquelas "profecias" que escrevemos 50 anos atrás.

Lá chegando verificamos que a lanchonete da praça não mais existia, fora demo-lida, no local, uma casa lotérica.

Perguntamos ao proprietário etc. tal.

Falou que da antiga casa o seu DADA levou as relíquias.

Sabe onde mora?

Acho que na cidade próxima.

De momento notamos sua incredulidade e a dificuldade de nos entender, pergun-tamos daquele lustre que estava no salão e que tinha um papel.

Sim, o pedreiro me entregou um envelope que estava escrito de uma turma etc., que se encontrariam depois dos 50 anos, está na minha gaveta, achei que vocês vinham a procurar.

Vou buscar.

O que escrevemos?

Já não lembrávamos.

Com as mãos tremulas; Chicão abriu o envelope.

O Papel estava todo amarelado, amassado e não conseguimos ler nada, estava tudo apagado.

Diante do fato comecei a fazer uma reflexão:

Qualquer assunto vivido por nós em épocas passadas pode tratar-se da ação e do efeito ou um pensamento mais profundo, da mudança de direção ou sentido de voltar o pensamento sobre si mesmo para conhecer-se, indagar como é possível?

Nos dias de hoje vale a pena refletir sobre acontecimentos do passado?

Antonio Vendramini Neto
(Toninho)





 


 
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