Enviou uma
carta para o seu "eu".
O endereço de entrega era um labirinto:
extraviou-se.
Escreveu outra mensagem:
desapareceu, nos caminhos íngremes do seu coração.
Estado de aflição.
Como chegar até si?
Comprou uma passagem para a cidade mais próxima.
Todas as suas fronteiras estavam bloqueadas.
Desorientação.
Espaço menos iluminado do seu cérebro.
Longínquo.
Estradas sem sinalização.
Quem construiu este muro diante dos seus olhos?
Sombras.
Trancou dentro si a pessoa que ele é.
Escuridão.
Prisão de portas abertas.
Visão atormentada.
Não compreendeu o nascer do sol.
Acostumou-se com o cair da tarde.
Estão tentando dizer-lhe algo!
O espelho refletiu suas rugas,
o relógio lembrou-lhe que o tempo está passando,
o chão estremeceu sob seus pés.
Um pensamento martelou suas ideias:
"O que tenho feito com a minha vida?"
Rosimeire
Leal da Motta
Vila Velha - ES

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