Novos tempos


Casinhola formada por um engradado de arame.
Pequena prisão para um pássaro gigante.
Coração feminino.
Fragmentos de épocas longínquas,
encarcerados.
Cenas traumatizantes
conservadas cuidadosamente.
Passado barrando o presente,
deformando o futuro.
Quarto escuro da sua alma.
Impossibilidade de desfazer-se das tralhas do porão,
impossível separar-se dos episódios sombrios.
O prisioneiro cantava uma ópera triste,
ecoando em todas as páginas da sua existência:
fantasma, assombrando as tentativas de ser feliz.
Um certo dia,
este som rachou os vidros das janelas,
abalou os alicerces da residência interior,
derreteu as grades da alma.
A opressão desmaterializou-se no ar.
O cofre dos sentimentos liberou a tristeza.
A brisa da paz soprou levemente,
a porta se abriu:
prenúncio de novos tempos.

Rosimeire Leal da Motta
Vila Velha - ES

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