Martelei em forma de poesia, sua imagem em minha mente.
Fixei seu semblante no quadro da minha alma. A moldura era feita de sentimentos dourados. Trabalho de pintura realizado
pelas minhas lembranças e saudades. Obra artística do meu coração! Uni por meio de costura o passado e o presente.
O futuro escorregou da parede dos meus sonhos. Em vão tentei recolocá-lo com pregos em marteladas constantes.
O golpe produzido pelo martelo trincou o vidro que protegia sua fotografia. Desprendeu-se dali, poeira e mofo.
O ontem escorreu pelas brechas e fugiu! A marreta do meu vazio reduziu a pedaços o você que havia em mim.
Diminuiu a intensidade do meu sentir. Mudou a direção dos meus pensamentos.
Foi a distância e a ausência que desbotaram o amor, e de tão velho e ressequido pelos anos,
desfragmentou-se e foi levado pelo vento. Desapareceu no ar, para sempre...
Rosimeire Leal da Motta
Vila Velha - ES

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