Autodestruição


Degusta, extasiado, uma garrafa de vinho branco.
Líquido sedutor que lhe embriaga os sentidos.
Um brinde as desventuras: Tim-Tim!
Bêbado das desilusões!
Bebe para esquecer, matar um pouco de si.
Lapsos de memória o afastam da tristeza.
Levanta-se da cadeira, vê coisas duplas...
Perdeu completamente a lucidez!
Sai cambaleando sonolentamente,
grita palavras sem nexo!
Sua voz é alta, arrastada e truncada.
Ao amanhecer, olha-se no espelho:
olhos avermelhados, rosto inchado e cansado.
Assusta-se com a sua aparência,
mas, a dependência alcoólica
o induz a pensar somente na próxima dose...
Náuseas, dor de cabeça, nervosismo:
causam deformações na pessoa que ele foi um dia...
Desafoga o nó da gravata:
sente tensão e calor.
Saboreia uma vez mais, este veneno socialmente aceito...
A taça de cristal escorrega das suas mãos trêmulas,
transformando-se em infinitos cacos...
Farrapo humano, rumo a autodestruição!

Rosimeire Leal da Motta
Vila Velha - ES

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