Retirou-se
apressadamente para escapar.
Foi-se afastando até perder-se de vista.
Embarcação de velas.
Abandonou a praia que o ensinou a viver.
Magoado, foi chorar seus ressentimentos em outros mares.
Navegava com extrema velocidade,
rumo aos abraços do vento:
consolador, que lhe estendia um lenço.
Barco sem passageiros, vazio como sua alma.
O impulso da raiva foi diminuindo.
Olhou para trás.
As lágrimas secaram.
Voltar para a tristeza? Não.
Ir ao encontro das agressões? Não.
Desistir dos seus sonhos? (?)
Impossível fugir de si mesmo.
Trouxe na bagagem todas as partículas que o compõem.
O silêncio era pesado.
Levantou a âncora e retornou.
Foi a sensibilidade que o fez sair correndo.
O seu "eu" lhe cobrava atitudes.
O mundo lhe exigia ser mais expansivo.
E ele, um simples veleiro, não aguentou tanta pressão.
Não se pode ter medo de sofrer,
o sofrimento é o tempero da vida...
Rosimeire
Leal da Motta
Vila Velha - ES

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