Demorou muitos
anos para concluir sua obra.
Não sabia ao certo como seria sua criação.
Cada dia que contemplava aquele monte de ferro
suas mãos lhes davam uma nova forma.
Ninguém entendia sua inspiração.
Parecia uma criatura com os braços abertos,
talvez em desespero, talvez em renúncia...
Torceu um pouco mais a montagem
dando a impressão que a escultura se ajoelharia a qualquer momento.
Seu ateliê ficava nos fundos de uma galeria de arte.
A cada dia um curioso ia ver o andamento da obra.
A eles lhes pareciam incrível que de um dia para o outro,
a escultura sofria uma transformação surpreendente!
Parecia uma outra obra.
O que ninguém sabia,
é que o artista tentava modelar sua alma,
criou uma coisa assustadoramente feia e deprimente.
Mas atraia admiradores.
Havia quem se identificasse com aquele monte de ferro!
A escultura estava agora com os olhos esbugalhados,
seus braços e pernas estavam transfigurados e sem vida.
Uma escultura morta.
Esta era sua forma definitiva!
O autor desapareceu.
Ninguém soube do seu suicídio!
Sua alma ficou na galeria, na escultura.
Seu corpo, desapareceu na terra.
Rosimeire
Leal da Motta
Vila Velha - ES

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