Ah, poeta, que sofres as dores dos outros e de todos
como se tuas… Tanta a desgraça, nesse Mundo impuro!
Preenchem-te as noites solidariedade e preocupação,
para com os que não têm voz nem justiça em sua estrada.
Ser solitário, que vai na vida a sonhar, sonhos de encantar!
Ilusão?... E são prados e jardins e um vive que vive
um viver melhor para todos – homens, mulheres… Crianças!
E tu, amor, que não sabes desses meus desatinos, quanto amas?
Comendador da paz, és tu quem vai de mãos dadas com
os mais pobres, e és parça também na sua miséria…
És côdea de pão, que a todos serve e aglutinas…
Aí, onde te sentas com os mais desgraçados deste mundo!
E é nesta Terra que versas, cantando hosanas, valores humanos,
que se perderam com o tempo e a pressa de chegar!...
Tu… maior que o Homem, ainda que cansado sorris às gentes,
que por feliz é a Criação, nos versos que compõem?...
E quem és tu, poeta, que sempre carpes e não sossegas teu coração?, Instado
contra a omissão do homem e das coisas da vida, como quem guarda a palavra, a
verdade, que jamais
recrimina somente ensina o que lhe foi dado ver: Maior que ele…
Dizem-te sonhador, tu que tentas reinventar-te a cada momento,
onde justiça prevaleça e faça ninho, nos olhos das pessoas desgarradas - que
mais não sabem que fazer de sua sorte, o que andar
neste mundo, que só conhece a dor: sic transit gloria mundi
Jorge Humberto
Santa-Iria-da-Azóia - Portugal
- 11/12/2024
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*Por decisão do autor, o texto está escrito de acordo com
a antiga ortografia.