Existe uma grande diferença na
maneira de se expressar o amor de antigamente, e na
atualidade.
Hoje em dia, com a maior
facilidade do mundo declara-se amor.
E, como forma de amar, dizem que
“estão ficando”.
Antes, não era assim, pois para alguém dizer EU TE AMO,
demorava muito.
Pode ser que tenham mudado os sentimentos, mas penso que
não, pois o amor é um estado de espírito, sublime, divino até, e nãopode
ser levado na brincadeira, como se faz hoje em dia.
Bem, pode-se dizer que o diferencial está justamente no
re-cato feminino de antigamente que determinava a demora nas declarações de
amor.
Os homens, com medo de
levar um “fora”, não se atreviam a certas liberdades não permissíveis às
“moças de boa
família”.
Contudo, os anos 60, com a luta das feministas pela
liberdade sexual, começaram a deturpar um pouco as coisas.
E, por exemplo, a virgindade, que
era um dos tabus de anti-gamente, passou a ser considerado um estigma.
As moças tinham vergonha de se
declarar virgens.
E assim começou a mudar a coisa.
Até chegar aos dias de
hoje...
Pode-se dizer
que no meio destes sentimentos
enganosos, não se ama de verdade.
Apenas FICA-SE...
Por vezes, fica-se o
tempo suficiente para se mascar um chiclete e, logo, sem qualquer
problema, uma vez terminada a “experiência”, cada qual para seu lado e pronto.
O chiclete logo perde o sabor e é cuspido, por ter perdido o sabor.
Bocas
foram beijadas e “vamos em frente que atrás vem
gente...”.
Antigamente começava-se um namoro, e antes de se conhe-cerem
“internamente”, os namorados se conheciam “externa-mente”.
Eram aqueles
namoros de mãos dadas.
Pouca
intimidade, os parceiros iam se conhecendo aos pou-cos, o amor ia se
sedimentando, criando alguma base.
Sexo?
Só depois de muito tempo e, geralmente, após o
casamento.
Havia a ilusão da
“Noite de Núpcias”...
Lembram-se?
Como era aguardada, e
com que ansiedade esperava-se pelo momento da entrega
total.
Antes, não se mascava o chiclete, ficava-se saboreando um chocolate, cujo sabor é mais acentuado, marca
mais.
O chiclete, depois de
mascado é jogado fora, pois perde o sabor.
Já o chocolate, ao contrário, é
digerido, alimenta, e seu sabor permanece na boca.
A
diferença que fica é exatamente essa.
O amor atual é descartável, vai se
provando até acertar com alguém.
E se não acertar, não tem importância,
pois o que conta é a quantidade de “caças abatidas’.
E esse pensamento não é machista,
não...
Muitas meninas também pensam
assim.
Declaram abertamente que saem, para disputar
quem ”fica” mais até o fim da noite.
Antes, meninas que namoravam com muitos eram mal vistas, e
rotuladas como “galinhas”.
Hoje, o demérito é para as que namoram pouco, ou com pou-cos.
O que
mudou, não foi o amor, foi a maneira de encará-lo.
Uma expressão muito usada, é o
“fazer amor”...
Gente, amor não se faz, ele surge, é produto de um
senti-mento gostoso entre duas pessoas.
O que se faz, se pratica, é o ato
sexual, que pode perfeita-mente ser feito sem amor.
É o chiclete.
Masca-se,
sabe-se o sabor, e cospe-se
(literalmente).
Sem
dúvida alguma, as coisas eram bem diferentes, e o amor melhor e mais bem
vivido, e saibam que isso não é saudo-sismo de idoso...
É apenas uma constatação real.
O amor não mudou...
Continua sendo o
mesmo...
Pelo menos para as pessoas que tem a sorte de ainda ter um
espírito romântico.
Que não
tem essa urgência toda de viver o que se julga ser o amor.
Que ao invés de amar “ficando”,
fica amando...
Que não faz do amor um diálogo mais ou menos assim:
“E então, como
ficamos?.
“Ficamos”?
Vamos tentar resgatar o romantismo de antigamente.
Dentro
de nossa época atual mesmo, existe lugar para o romantismo...
É só
procurar saborear o chocolate, sempre lentamente, sem pressa, sentindo
bem seu sabor.
Assim
saboreia-se o amor.
Assim, fica-se saboreando, e não apenas,
“fica-se”.
Experimentem como é gostoso esse sabor. O sabor do
amor.
Bem... com essa
ideia
na cachola, espero que todos
fiquem em UM LINDO
DIA.
Marcial Salaverry
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